... guardo todas...
... as lembranças,
e, me torno oceano.
Hora revolto, hora com ondas leves, que acariciam a areia
Vez em quando viro rio salgado, quando a paz vem.
E no meio das lembranças, recordo
Das lágrimas que fiz derramarem por mim,
E agora, coleciono novas, ao lembrar do mal que fiz aos meus
Derramo mais algumas quando a saudade aperta o peito
Lágrimas, hoje são poucas, mas parecem ácidas
Quando o rosto escorrem, mesmo acostumado e que tanto por elas fora banhado
Liberto o inverberável por elas
E a gratidão enche os olhos quando lembro daqueles
Que comigo choraram e entendiam e sofriam ou sorriam comigo
De todas guardo
o aprendizado
e busco amadurecer, sem me preocupar
com quantas mais derramarei.
Quem sou eu
- Doug
- Bem-vindo (a). Por aqui verás emoções que tive, que tenho, que sempre as terei.
domingo, 8 de maio de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Exílio cantado
Minha terra tem sanguessugas
Que
nunca cansam de sugar
As aves
já não gorjeiam,
Porque
a mata já não há
Minha terra tem intolerância
Que em
outras menos vou encontrar
A
violência é produto,
E a
meta é lucrar
Minha
terra tem sanguessugas,
Que
nunca cansam de sugar
Minha
terra tem vergonha
Das
coisas boas que aqui há
Valorizam
o estrangeiro
E
quaisquer merdas que vem de lá
Minha terra tem sanguessugas
Que
nunca cansam de sugar
Minhas
terra tinha amores
Hoje
tudo é no ficar
Compromisso
é para poucos
Que
insistem no sonhar
Minha
terra tem sanguessugas
Que
nunca cansam de sugar
quinta-feira, 3 de março de 2016
Carnaval
É carnaval, a festa!
Vamos celebrar as nossas governâncias,
Que lutam por nós e trazem
A paz que sentimos quando saímos de casa
Carnaval, feriado que alegra,
Dosagem de dias atroz
Onde o trivial... acaba.
Quimera é
Que um dia tenhamos a exigência dos jurados das escolas de
samba,
Pois nossa educação caminha na corda bamba
Produzindo mais foliões
Inconscientes nessa linda dança
E nessa romaria
A bestar andamos
Sem amar, matamos
E em Brasília, sangria
Mas não podemos sofrer, pois vem chegando a olimpíada no Rio
O doce rio, que agora é de metal, vai sendo esquecido.
E no macro, o medo da micro
Zika, dengue, o maldito mosquito,
Mas o que fizemos para mudar isso?
Ainda no macro muros construímos
Sonhos destruímos
Por mais que vida, dê dentro de nós
O mais forte estrilo
E no meio da festa, qual a ordem?
Pegue a metralhadora...
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Sangria
Feche
os olhos! Coloque essa venda, que cega e possui,
O
veneno que entorpece, e a mente e polui.
A
massa segue em romaria fúnebre
Cavando
a própria cova,
Mas
não vejo tristeza,
Vejo
que a massa adora
Mesmo
passando fome de tanta coisa, come da beleza do que se pensa ver,
Ficando
na leveza de ter a alma vendida
E
só ouvirás o que eles dizem
Outras
vozes são erradas.
Se
existe falta, a culpa é sua.
O
esforço deveria vir de corpo e da alma tua
E
se faltar algo a mim, tiro do seu, mesmo que fique sem,
Pois,
preciso de mais, preciso demais, muito mais,
Sangre
todos os dias, para assim mantermos o Estado na sangria!
domingo, 15 de novembro de 2015
Fortaleza das lamentações
São
tantas, que é possível um muro ser feito
Muro
não, muralha... Lamentações
Ideias
e ideais se misturam
Nelas
a verdade existe? Sim, para quem acredita!
E
quem não o faz se defende com
Ódio
nos discursos proferidos
Excesso
de falta de sentido
E o
básico, o respeito, foi perdido.
E o
mais “forte” cega e mantém a ditadura
A
arma branca ou escura é apontada... Guerra santa ou fria
Fria
por não haver mais sangue, não são humanos, muito menos animais.
Santa
por ter deuses como motivação para tal
Vendem
a ideia da compra desvairada
O
apreço em baixa. O dinheiro em alta, para os “altos”
E lá
se vão às engrenagens. Isabel mentiu. Abolição?
Quimera.
O
produto agora tem vida, frequenta bares, lojas, come e bebe muito.
E se
reinventa por fora, trocando de roupas e ornamentos.
Muita
oferta e nenhuma procura
Tudo
demais, mesmo sem valia
E
quanto mais curtido e comentado
Cada
vez o produto fica mais valorizado,
Mas
o que fora curtido, curtido está.
Daí
a já comentada reinvenção
Para
assim vencer a luta diária da rede social
Status?
Há algum remédio?
A
fiança liberta
O
que é rouba, defende e acusa
Outros
fazem de escudo as sagradas escrituras
E
para nós ?
Alunos
tratados como detentos
Professores
agredidos de todas as formas
O
ensino privatizado e ditado por vestibulares
E
como sonho: o AP, o carro
Mas
para o pobre o sarro, a surra.
E a
caverna com toda a estética e recursos de nosso tempo
Refugiados?
Fechemos as fronteiras
O atentado
a quem atende?
Com
tantas guerras, certeza que os senhores das guerras vivem na paz
Seria
a morte a melhor das saídas?
E
assim as muralhas se transformam em fortaleza de lamentações
Mas
verás apenas as que são belas para os olhos de todos
E
excluem aquelas que patrocinam
Seletividade,
maior ramo em atividade.
Em
meio a tantas faltas, o problema é a falta de velocidade
O
fechamento avenida, ou as vias que não são para os carros
É
necessário passar depressa, afinal, tudo isso é um jogo.
Matamos
rios, outros animais e florestas.
O
que nos dá a ideia de superioridade?
Só
aceito isso, se levarmos em conta a nossa criatividade, e,
Nosso
amor verdadeiro pela atrocidade
É
isso a vida?
Um
jogo sem regras... Agonia
O
coração clama por calmaria
Cal-------ma-------ri-----a
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
Desertos
Alguns momentos da minha
vida me vi só, não falo do convívio de pessoas, mas por não ter vida alguma por
perto. Sei que parece estranho a maneira que falo, mas estava cercado de
pessoas em que não conseguia encontrar vida nelas, por mais que elas tivessem.
Chamo esses períodos de
deserto, pois precisava passar por ele sozinho, não haveria ajuda de ninguém,
amigo nenhum por exemplo. O mais difícil foi reconhecer que estava nessa
situação, muitas vezes tive que cair feio, ou na tempestade de areia viesse e
me fizesse enxergar quão mal eu estava.
Depois de me reconhecer no
deserto, comecei a ver os dias passarem devagar, nada adiantava, ficava
desapontado em andar e nada além de nada eu ver. Por vezes aquele monte de
areia ficava bonito, o sol não era tão ruim, eu estava cansado e acostumei-me
com aquela situação. E o que dizer das miragens, tão lindas, e depois... Desespero.
O desespero parece não ter
fim, o corpo apenas anda e morre todos os dias, assim como minha esperança. Até
que a vida me ofertava doses de forças para seguir. Um pássaro, outras vezes
vinha uma brisa leve que acalentava e animava-me e seguia meu caminho.
Perguntei-me se este era o
caminho certo, chorei por não obter respostas e os montes de areia iam
aumentando e ia ficando maiores pelo meu cansaço e a sensação de que nada fazia
para melhorar o mundo que me cercava, amigos e parentes falavam, aconselhavam,
mas não era o que precisava.
E de repente, no extremo do
dia, no auge do calor e do meu cansaço, vi o oceano, pensei até que fosse mais
uma miragem, mais um delírio. Corri, mesmo com o corpo extremamente cansado. E nos
passos finais cai de joelhos, fiz uma prece e pedi forças para chegar... o
corpo tremia e a respiração ofegante e o coração muito acelerado.
E alcancei a água, a
sensação libertadora foi indescritível, recebi minhas respostas ali. Chegava ao
fim à caminhada, o sal de meus olhos misturava-se com o do oceano, éramos um
agora, eu era maior que deserto, era infinito. O fim do deserto se mostrou
quando me tornei mar, me tornei infinito.
Depois de vencer esse,
vieram outros desertos, maiores e mais cruéis, mas a sensação de ser infinito
me levou e me leva para ir além do que posso imaginar.
Sim, os desertos todos têm
fim, mas nascemos para sermos infinitos como o oceano.
Celso
Vi
que fostes o mais belo dentre todos o que vi
Mesmo
que andasse os quatro cantos
E
voltasse as vidas que vivi
Em
todos os prantos
Em
toda a espera
Em
minhas quimeras
Estava
você, tão celso
Secando
minhas lágrimas
Esperando-me
tão perto
Do
inesperado o mais certo
Febril
E no corpo febril, surge a dúvida
No corpo febril os delírios e medos se elevam,
E as certezas ficam longe
No corpo febril o calor inquietante
A cabeça está fraca, e nada ajuda
As febres da alma e do espírito sufocam
E os medos tomam conta
Medos do passado meu e seu
Medo das portas que deixamos abertas
Medo das portas que vamos abrir
Medos...
... E o corpo febril ferve
O suor desse consistente
Como gotas de sangue
Medo!
Medo!
E a voz que quase não grita,
E ninguém a ouve
Medo!
Morram todos vocês antes de mim
Febre revelando os maiores medos:
O medo do fim,
O medo do ontem,
E a incerteza do amanhã
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Carta ao meu caro amigo
Meu caro amigo, me perdoe, mas está difícil lhe fazer uma visita.
A vida está um tanto corrida para nós, não é? Estudos e trabalhos e tantas
outras coisas nos fragmentam e atrapalham de viver, vivemos em conta-gotas. Mas
agora, lhe mando aqui por este app as notícias:
Dizem
que aqui ainda se joga futebol, tivemos uma copa por aqui, acredita? Mas
perdemos de sete!! Na verdade eles perderam, privatizaram a nossa seleção e
nosso futebol. Nossos melhores estão na Europa, alguns até trocam de
nacionalidade, tamanha a identificação com a nossa terra. Os clubes, estão
falidos e nunca ganharam tanto dinheiro, mas já sabe... onde tem muita grana
...
Tem
muito choro, mas não aquele choro carinhoso do Pixinguinha, mas o choro da mãe
que teve seu filho assassinado por policiais. E dizem que vivemos livres, eu
discordo.
O
choro segue quando vemos que ainda se discutem questões como o homossexualismo,
pode-se ver tanto ódio vindo das mentes intolerantes que julgam os gays da pior
maneira possível, torturam e até matam. Isso sem falar no machismo e covardia
dos homens, nós mulheres lutamos muito para diminuir a dívida que vocês têm
conosco e aos poucos conquistamos as coisas. Não quis ofender meu caro amigo,
sabe que tu és diferente quanto a isso. Mas tente me explicar o por quê de tanta
intolerância?
A
nossa música já foi muito melhor, é muito produto e pouca obra, e na literatura
está assim também. Viva à indústria da “cultura”. Lamentável. Ouvir o rock’n
roll só nos discos antigos e ler um bom livro, só recorrendo aos nossos grandes
escritores marginalizados pela cultura dos Best-sellers.
Chover
aqui até choveu, mas estamos quase sem água, mas não podemos culpar o
governador e a empresa que “cuida” da água, ambos são maravilhosos e perfeitos.
Caro amigo, a única chuva que não cessa é da manipulação, veja só, os
professores estão protestando por melhores condições de trabalho e a mídia não
fala não sei o motivo, e fazem o contrário, falam que estes são vagabundos. Os
pais delegaram a escola o dever de educar os filhos e não de transmitir conhecimento
e lhes dar a capacidade de pensar com mais criticidade sobre as coisas,
famílias poucas existem. Não sei a cor, mas posso garantir que é uma cor escura
o suficiente para fazer tantos virarem mais uma vez massa de manobra, tudo o
que eles querem eles vendem, e a valia nas coisas é tão grande que as pessoas
hoje são as marcas dos produtos que possuem. Peço ao Pai que me afaste de
cálice de hipocrisia, falsa moral, falsas atitudes e sorrisos. Enfim, a unidade
humana é a tônica de nossa sociedade, cada um defendendo aquilo que lhe
beneficia, a humanidade só existe quando estamos nos transportes públicos.
A
coisa tá preta mesmo, querem a volta de ditadura de forma explícita, como faz
falta o saber da nossa história, que é triste desde o seu início. O alerta
vermelho vem no aumento das contas, na alta dos remédios, combustível e até da
nossa cervejinha sagrada. Lamentável
E ainda tem o sinal verde para os “irmãos” evangélicos, que agora estão no comando do país, só que a culpa foi depositada em todo um partido, meu caro amigo, como colocar culpa em pessoas que nem de perto de 515 anos?
E ainda tem o sinal verde para os “irmãos” evangélicos, que agora estão no comando do país, só que a culpa foi depositada em todo um partido, meu caro amigo, como colocar culpa em pessoas que nem de perto de 515 anos?
Amigo,
não quero lhe deixar bravo nem triste, apenas lhe transmito o que vejo aqui na
terra de Vera, a cruz nós carregamos às vezes até mais de uma. Que eu carregue
para ti esses sentimentos ruins, afinal estou acostumada a conviver com eles.
Continuo a contar...
...
como já não bastasse a cerveja o circo está mais caro agora, inventaram que
agora você deve ser sócio torcedor para ver os gladiadores nas novas arenas,
superfaturadas. Sim, estou falando do futebol que era do povo, que era algo
mágico, agora está elitizado, gourmet, como dizem as pessoas os intelectuais.
Mas uma coisa não muda, a proteção das organizadas pelos clubes.
E
como aguentar tanta coisa ruim? O amor seria a solução, mas este é raro, tudo
agora nem chega a ser efêmero, sentimento é quimera de poetisa. Hoje é tudo
assim, superficial. Fotos para a autopromoção várias ## e fico com dó do nosso
lindo idioma que sofre muito nas redes “sociais”. O que se vê é tudo de mais
longe da realidade, uns sofrem demais outros sorriem demais, desconfio muito de
tudo isso, e os que sofrem de verdade são os que menos demonstram, afinal,
ninguém precisa saber.
Pensei
em lhe ligar, mas a telefonia celular é uma porcaria, nem sempre temos sinal, e
ainda dizem que vivemos sem fronteiras. Quis lhe enviar isso por correio, mas
não sei se eles estão em greve. Criaram um modo antigreve amigo, vão
terceirizar tudo por aqui, mais uma maneira de pagarem menos e de lavarem mais
grana, e não poderemos mais lutar pelos nossos direitos pois perderemos os
nossos jobs .
Mande
um beijo para a sua família, para a namorada quase esposa toda a galera. Adeus!
Antônia
Duarte.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Traduzida pela chuva
E as gotas caem do céu
Os olhos podem até estar as vendo
Mas são os olhos teus que ele encontra
No cair da chuva
Raios no céu
Raiou a estrela no coração meu
E do meu coração, para ti, os versos nasceram
A chuva será que veio para quantificar a saudade que sinto?
Os trovões seriam a minha raiva por não estar com você?
Não sei, só quero que a chuva embale seu sono, meu sono
E nossos versos
Os olhos podem até estar as vendo
Mas são os olhos teus que ele encontra
No cair da chuva
Raios no céu
Raiou a estrela no coração meu
E do meu coração, para ti, os versos nasceram
A chuva será que veio para quantificar a saudade que sinto?
Os trovões seriam a minha raiva por não estar com você?
Não sei, só quero que a chuva embale seu sono, meu sono
E nossos versos
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