Quem sou eu

Minha foto
Bem-vindo (a). Por aqui verás emoções que tive, que tenho, que sempre as terei.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A Flautista

E para onde vai a flautista? As linhas da partitura se tornam um desafio, o balbuciar das notas tão imperceptíveis são traduzidos pelo lápis em uma sílaba só.

E nos pés, as flores por todo seu caminhar, a sapatilha simples, delicada e florida traz toda uma delicadeza que podemos ver na moça tão pequena. No braço direito, a grande amiga, a flauta. Esta adormece em sua casa revestida de couro e tão confortável por dentro.Lá vai a flautista, ouvindo uma música que talvez seja a que ela maestricamente traduz no papel e por vezes faz como um grande maestro em suas orquestras.

E esses dias a vi novamente, estava com uma bolsa grande, que provavelmente levava sua companheira, nas mãos a folha era consideravelmente maior do que a que vi anteriormente, os dedos agiam mais rápido, as aulas estava dando ótimo resultado. A despreocupação com a questão estética chama a atenção, cabelo solto, um tanto molhado, calça jeans e blusa preta.


E assim como na primeira vez, não tive a oportunidade de falar com a jovem flautista que desceu sem que eu perceba, a leitura me distraiu, como sempre.

23/06/2016

Vinte e três de junho de dois mil e dezesseis, para muitos, algo normal, mas para quem vive na cidade poesia se vê além, vê-se a rima. E nesse dia, o sol sumido dos outros dias, quis sair um pouco, embora não goste muito dele, não o recrimino, afinal, fosse eu também um astro, gostaria muito de participar de tal festa, mesmo vendo muitas almas que se completaram ao longo de todo esse tempo.


As cores do dia são sentíveis, quase que palpáveis, te traz aqui para perto, e no desbravar e emanar do amor há três anos, e a noite em seis horas chegará, e o frio trará mais lembranças daquele nosso primeiro dia, o nosso vinte e três.

domingo, 8 de maio de 2016

Das lágrimas...

... guardo todas...
... as lembranças,
e, me torno oceano.
Hora revolto, hora com ondas leves, que acariciam a areia
Vez em quando viro rio salgado, quando a paz vem.

E no meio das lembranças, recordo
Das lágrimas que fiz derramarem por mim,
E agora, coleciono novas, ao lembrar do mal que fiz aos meus

Derramo mais algumas quando a saudade aperta o peito

Lágrimas, hoje são poucas, mas parecem ácidas
Quando o rosto escorrem, mesmo acostumado e que tanto por elas fora banhado

Liberto o inverberável por elas
E a gratidão enche os olhos quando lembro daqueles
Que comigo choraram e entendiam e sofriam ou sorriam comigo

De todas guardo
o aprendizado
e busco amadurecer, sem me preocupar
com quantas mais derramarei.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Exílio cantado

Minha terra tem sanguessugas
Que nunca cansam de sugar
As aves já não gorjeiam, 
Porque a mata já não há

Minha terra tem intolerância
Que em outras menos vou encontrar
A violência é produto,
E a meta é lucrar
Minha terra tem sanguessugas,
Que nunca cansam de sugar
Minha terra tem vergonha
Das coisas boas que aqui há
Valorizam o estrangeiro
E quaisquer merdas que vem de lá

Minha terra tem sanguessugas
Que nunca cansam de sugar
Minhas terra tinha amores
Hoje tudo é no ficar
Compromisso é para poucos
Que insistem no sonhar
Minha terra tem sanguessugas

Que nunca cansam de sugar

quinta-feira, 3 de março de 2016

Carnaval

É carnaval, a festa!
Vamos celebrar as nossas governâncias,
Que lutam por nós e trazem
A paz que sentimos quando saímos de casa

Carnaval, feriado que alegra,
Dosagem de dias atroz
Onde o trivial... acaba.

Quimera é
Que um dia tenhamos a exigência dos jurados das escolas de samba,
Pois nossa educação caminha na corda bamba
Produzindo mais foliões
Inconscientes nessa linda dança

E nessa romaria
A bestar andamos
Sem amar, matamos
E em Brasília, sangria
Mas não podemos sofrer, pois vem chegando a olimpíada no Rio
O doce rio, que agora é de metal, vai sendo esquecido.

E no macro, o medo da micro
Zika, dengue, o maldito mosquito,
Mas o que fizemos para mudar isso?


Ainda no macro muros construímos
Sonhos destruímos
Por mais que vida, dê dentro de nós
O mais forte estrilo

E no meio da festa, qual a ordem?

Pegue a metralhadora...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sangria



Feche os olhos! Coloque essa venda, que cega e possui,
O veneno que entorpece, e a mente e polui.
A massa segue em romaria fúnebre
Cavando a própria cova,
Mas não vejo tristeza,
Vejo que a massa adora
Mesmo passando fome de tanta coisa, come da beleza do que se pensa ver,
Ficando na leveza de ter a alma vendida
E só ouvirás o que eles dizem
Outras vozes são erradas.
Se existe falta, a culpa é sua.
O esforço deveria vir de corpo e da alma tua
E se faltar algo a mim, tiro do seu, mesmo que fique sem,
Pois, preciso de mais, preciso demais, muito mais,
Sangre todos os dias, para assim mantermos o Estado na sangria!

domingo, 15 de novembro de 2015

Fortaleza das lamentações




São tantas, que é possível um muro ser feito
Muro não, muralha...  Lamentações

Ideias e ideais se misturam
Nelas a verdade existe? Sim, para quem acredita!
E quem não o faz se defende com
Ódio nos discursos proferidos
Excesso de falta de sentido
E o básico, o respeito, foi perdido.
E o mais “forte” cega e mantém a ditadura

A arma branca ou escura é apontada... Guerra santa ou fria
Fria por não haver mais sangue, não são humanos, muito menos animais.
Santa por ter deuses como motivação para tal

Vendem a ideia da compra desvairada
O apreço em baixa. O dinheiro em alta, para os “altos”
E lá se vão às engrenagens.  Isabel mentiu. Abolição? Quimera.
O produto agora tem vida, frequenta bares, lojas, come e bebe muito.
E se reinventa por fora, trocando de roupas e ornamentos.
Muita oferta e nenhuma procura
Tudo demais, mesmo sem valia

E quanto mais curtido e comentado
Cada vez o produto fica mais valorizado,
Mas o que fora curtido, curtido está.
Daí a já comentada reinvenção
Para assim vencer a luta diária da rede social
Status? Há algum remédio?


A fiança liberta
O que é rouba, defende e acusa
Outros fazem de escudo as sagradas escrituras
E para nós ?
Alunos tratados como detentos
Professores agredidos de todas as formas
O ensino privatizado e ditado por vestibulares
E como sonho: o AP, o carro
Mas para o pobre o sarro, a surra.
E a caverna com toda a estética e recursos de nosso tempo

Refugiados? Fechemos as fronteiras
O atentado a quem atende?
Com tantas guerras, certeza que os senhores das guerras vivem na paz
Seria a morte a melhor das saídas?

E assim as muralhas se transformam em fortaleza de lamentações
Mas verás apenas as que são belas para os olhos de todos
E excluem aquelas que patrocinam
Seletividade, maior ramo em atividade.
Em meio a tantas faltas, o problema é a falta de velocidade
O fechamento avenida, ou as vias que não são para os carros
É necessário passar depressa, afinal, tudo isso é um jogo.

Matamos rios, outros animais e florestas.
O que nos dá a ideia de superioridade?
Só aceito isso, se levarmos em conta a nossa criatividade, e,
Nosso amor verdadeiro pela atrocidade


É isso a vida?
Um jogo sem regras... Agonia
O coração clama por calmaria


Cal-------ma-------ri-----a

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Desertos

Alguns momentos da minha vida me vi só, não falo do convívio de pessoas, mas por não ter vida alguma por perto. Sei que parece estranho a maneira que falo, mas estava cercado de pessoas em que não conseguia encontrar vida nelas, por mais que elas tivessem.

Chamo esses períodos de deserto, pois precisava passar por ele sozinho, não haveria ajuda de ninguém, amigo nenhum por exemplo. O mais difícil foi reconhecer que estava nessa situação, muitas vezes tive que cair feio, ou na tempestade de areia viesse e me fizesse enxergar quão mal eu estava.

Depois de me reconhecer no deserto, comecei a ver os dias passarem devagar, nada adiantava, ficava desapontado em andar e nada além de nada eu ver. Por vezes aquele monte de areia ficava bonito, o sol não era tão ruim, eu estava cansado e acostumei-me com aquela situação. E o que dizer das miragens, tão lindas, e depois... Desespero.

O desespero parece não ter fim, o corpo apenas anda e morre todos os dias, assim como minha esperança. Até que a vida me ofertava doses de forças para seguir. Um pássaro, outras vezes vinha uma brisa leve que acalentava e animava-me e seguia meu caminho.

Perguntei-me se este era o caminho certo, chorei por não obter respostas e os montes de areia iam aumentando e ia ficando maiores pelo meu cansaço e a sensação de que nada fazia para melhorar o mundo que me cercava, amigos e parentes falavam, aconselhavam, mas não era o que precisava.

E de repente, no extremo do dia, no auge do calor e do meu cansaço, vi o oceano, pensei até que fosse mais uma miragem, mais um delírio. Corri, mesmo com o corpo extremamente cansado. E nos passos finais cai de joelhos, fiz uma prece e pedi forças para chegar... o corpo tremia e a respiração ofegante e o coração muito acelerado.

E alcancei a água, a sensação libertadora foi indescritível, recebi minhas respostas ali. Chegava ao fim à caminhada, o sal de meus olhos misturava-se com o do oceano, éramos um agora, eu era maior que deserto, era infinito. O fim do deserto se mostrou quando me tornei mar, me tornei infinito.
Depois de vencer esse, vieram outros desertos, maiores e mais cruéis, mas a sensação de ser infinito me levou e me leva para ir além do que posso imaginar.


Sim, os desertos todos têm fim, mas nascemos para sermos infinitos como o oceano.

Celso



Vi que fostes o mais belo dentre todos o que vi
Mesmo que andasse os quatro cantos
E voltasse as vidas que vivi

Em todos os prantos
Em toda a espera
Em minhas quimeras
Estava você, tão celso
Secando minhas lágrimas
Esperando-me tão perto

Do inesperado o mais certo

Febril

E no corpo febril, surge a dúvida
No corpo febril os delírios e medos se elevam,
E as certezas ficam longe

No corpo febril o calor inquietante
A cabeça está fraca, e nada ajuda
As febres da alma e do espírito sufocam

E os medos tomam conta
Medos do passado meu e seu
Medo das portas que deixamos abertas
Medo das portas que vamos abrir

Medos...
... E o corpo febril ferve
O suor desse consistente
Como gotas de sangue

Medo!
Medo!

E a voz que quase não grita,
E ninguém a ouve
Medo!
Morram todos vocês antes de mim


Febre revelando os maiores medos:
O medo do fim,
O medo do ontem,

E a incerteza do amanhã